[FINAL DA TAÇA] Belenenses 0-1 Sporting

28 Maio, 2007

Tarde de festa no Jamor para o encerramento da época desportiva de 2006/2007. Frente a frente, as duas equipas que melhor futebol praticaram no ano de 2007: o Sporting de Paulo Bento, vice-campeão da Liga Bwin, e o Belenenses de Jorge Jesus concretizou sonho de criançaJorge Jesus, indubitavelmente a revelação da temporada com o 5º lugar na Liga e o consequente apuramento para a Taça UEFA, além desta presença na final da Taça de Portugal, 18 anos depois.

O Sporting entrava para este jogo como claro favorito, sobretudo atendendo às últimas jornadas, nomeadamente a última onde tinha goleado exactamente o Belenenses, embora com um onze bem diferente do de hoje e uma motivação totalmente distinta.

O Sporting entrou para a partida com o onze dessa vitória por 4-0 sobre o Belenenses no último fim-de-semana, mantendo Alecsandro como companheiro de Liedson na frente de ataque, relegando Yannick Djaló para o banco de suplentes. Já o Belenenses entrou mais «acanhado», com Jorge Jesus a abdicar do 4-4-2 com Garcés a fazer companhia a Dady na frente de ataque, preferindo povoar o centro do terreno, com Ruben Amorim e Sandro Gaúcho como médios mais defensivos, atrás do trio mais atacante composto por Cândido Costa, Zé Pedro e Silas que apoiavam directamente Dady na manobra ofensiva dos azuis.

O jogo começou como já vem sendo hábito nas hostes leoninas, embora o golo não tenha aparecido tão cedo como se prognosticava... aliás, surgiu bem tarde, como já sabemos. Ainda assim, logo aos 28 segundos João Moutinho é totalmente atropelado na grande àrea do Liedson voltou a resolverBelém por Nivaldo... grande penalidade por assinalar claríssima, o primeiro erro de uma tarde do trio de arbitragem liderado por Paulo Proença a fazer lembrar o tempo: cinzenta!

Do primeiro tempo há a ressalvar uma jogada, no mínimo, caricata e que espelha o nervosismo e rigor táctico que pautou esta final: Polga tem uma abertura fantástica para Nani, que hoje esticou todo o flanco esquerdo. A bola chega a Romagnoli que remata forte, com Costinha a defender para a frente. Nani assiste Liedson que devolveu mas entretanto não deu em nada, face à pressão dos azuis, desta feita mais em esforço do que em rigor.

O Sporting era nesta altura dono e senhor do jogo, pautando o seu ataque com aberturas nas alas onde Nani, pela esquerda, e Abel, pela direita, causavam o pânico na defensiva do Belém... Amaral era demasiado lento para Nani enquanto no flanco contrário Abel seguia à risca as indicações de Paulo Bento e cruzava logo após a linha de meio-campo. A melhor oportunidade do Belém surgiu a meio da primeira parte, quando Polga perde a bola para Dady que, com a velocidade que se conhece, assistiu Silas que apareceu na esquerda. Já dentro da àrea, o número 10 passou Abel e de primeira rematou com a bola a raspar nas pernas de Caneira. Ricardo, em recurso e com reflexos apurados, conseguiu desviar para canto. O intervalo não chegou, porém, sem antes Romagnoli (quem mais!) surgir da direita com um remate portentoso que Nivaldo desvia, quase traindo Custódio celebrou a conquista em jeito de despedidaCostinha que, em recurso, brilhou mais uma vez.

Na segunda parte o ritmo baixou, como já seria de esperar, sobretudo da parte do Sporting. Paulo Bento era obrigado a mexer, primeiro com a lesão de Tello, entrando Tonel para a defensiva leonina, com Caneira a derivar para a ala ocupada pelo chileno. Depois, troca de avançados mais que esperada: o apagado Alecsandro não trouxe o bónus que se esperava, entrando Yannick Djaló quando já se denotava falta de fulgor nas pernas da maioria. Do lado contrário, Jorge Jesus acreditava mais que qualquer um e arriscava, lançado no ataque Fernando, para a ala esquerda, e o panamiano Garcés, em cunha com Dady, saindo Ruben Amorim e Silas, duas unidades mais recuadas.

A partir das alterações o jogo ficou bem mais aberto, com passes bem mais longos e não menos eficazes. Costinha, esse, voltava a brilhar, ele que no segundo tempo denotou um toque que sofreu na primeira parte: era Amaral quem batia os pontapés de baliza. Do lado contrário, Dady respondia na mesma moeda que Liedson e obrigava Ricardo a desviar um cabeceamento para a barra. A bola rondava ambas as balizas, embora o Sporting mantivesse a iniciativa e tenha mesmo tido mais posse de bola no período complementar. Depois de jogadas de perigo de Romagnoli, o melhor em campo, Nani e Liedson, o «levezinho» acabou por resolver quando das bancadas já vinham ecos de prolongamento.

Liedson ergueu a taça no topo do Estádio NacionalO golo de Liedson surge a três minutos do fim e espelha exactamente o rigor táctico deste encontro: Amaral já estava em dificuldades, acabou mesmo por não aguentar o esforço depois de um corte às pernas de Liedson e, quando o defesa direito do Belenenses recebia assistência, com Carlitos já pronto para entrar em campo, Romagnoli bate um canto da direita, a bola sobrevoa toda a àrea e Miguel Veloso, no lado contrário, na zona de acção de Amaral, tem tempo e espaço para cruzar a bola milimetricamente para a àrea onde surgem no limite do fora-de-jogo Liedson e Yannick Djaló. O brasileiro é o mais rápido, antecipando-se mesmo a Costinha, desviando para o golo que dava a 14ª Taça de Portugal aos leões. Ao ritmo da chuva, começava no Jamor a festa verde-e-branca, ecoando gritos de vitória vindos do Estádio de Alvalade onde outros tantos, quase 20 mil pessoas, vibravam pelos ecrãs gigantes com o golo de Liedson.

O final do jogo chegava pouco depois, não sem antes Custódio ter tido a oportunidade de entrar em campo, numa dupla-homenagem: em primeiro lugar, A festa no relvado do Jamorrendeu Romagnoli, que mais uma vez foi decisivo neste Sporting e promete um investimento forte na sua aquisição definitiva; segundo, entrava Custódio, o capitão que Paulo Bento promoveu, o companheiro de posição do técnico, antes jogador, que ironicamente lhe tinha «roubado» o lugar no onze inicial da equipa então orientada por... Fernando Santos. Soou a despedida a entrada de Custódio, ainda bem a tempo de subir ao topo do Jamor e receber das mãos de Gilberto Madaíl o troféu, os 15 quilos divididos por 1 metro de altura, com 65 centímetros de prata... a materialização de uma época bem positiva para a turma de Alvalade.


[RESUMO DA FINAL] por TV Tuga