Salve Ibson!

19 Novembro, 2008

Poucas vezes assisti a uma exibição tão perfeita de um jogador como a apresentada por Ibson no último domingo, no Maracanã. Foi um momento mágico, que transportou o adepto flamenguista de volta aos momentos gloriosos da década de 80. Amigos, posso dizer que foi uma exibição digna de um Zico. Não quero aqui comparar o Ibson ao eterno ídolo do futebol brasileiro, que na minha opinião está entre os cinco melhores de todos os tempos. Ibson é apenas um jogador muito bom. Zico era um cracaço. Mas o domingo foi de super-craque.

O Maracanã, assim como nos anos 80, estava abarrotado de gente. Todos com suas camisas e bandeiras rubro-negras. O dia, lindo, sol e muito calor numa tarde tradicionalmente carioca. Para completar, o jogo começou às cinco horas da tarde, por causa do horário de verão. Digo isso, porque nos anos 80, os jogos começavam sempre às cinco da tarde. Atualmente, por pressão da televisão que compra os direitos de transmissão do futebol brasileiro, os jogos começam às quatro horas.

Então começou o jogo, e como nos velhos tempos, aos dois minutos, Flamengo 1 a 0. O Palmeiras chegou a reagir com um gol de Alex Mineiro, batendo penalidade. O jogador alviverde sequer comemorou. Com certeza já advinhando o passeio que sua equipa iria levar.

Pois continuemos, que é aí que começa o Ibson Show. O meio-campista, num lance de oportunismo e categoria marca o segundo. Dizem que o avançado Obina levou vantagem ao ganhar terreno para cobrar um tiro livre com rapidez. Ora, pelo amor de Deus, a defesa do Palmeiras estava desarrumada e o jogador foi inteligente ao notar isso. Parou a bola, e no mesmo acto bateu a infração.

Vem a segunda etapa, e numa arrancada fulminante, com três toques, o Fla chega ao ataque. Ibson invade a área e fulmina o guarda-redes Marcos com um chutaço no ângulo esquerdo. Um dos melhores goleiros do Brasil, Marcão, ainda salvou o Palmeiras de um destino pior.

O Verdão correu atrás e diminuiu. Gol de Kléber. O Gladiador Verde lutou, mas nem mesmo ele foi suficiente para salvar o Palmeiras. 3 a 2 era o escore. Mas para Ibson ainda faltava mais. Ataque rubro-negro pela direita, Kleberson, que pareceu aquele do Mundial de 2002, cruzou, Ibson apareceu como um raio, e tocando de calcanhar, de letra, fez o quarto, o terceiro dele no jogo. Ganhando aplausos de pé da massa extasiada.

O quinto e último gol do baile do vermelho e preto foi anotado por Kleberson, fechando uma jogada sensacional. Começou na defesa com uma tirada de peito de Fábio Luciano. O capitão saiu jogando, logo a bola estava com Ibson, que tentou chutar, foi travado. A bola sobra para o mesmo Fábio Luciano dentro da área. Notem: Um zagueiro, actuando como um verdadeiro avançado. O camisa três olhou e cruzou, para a testada de Kleberson. E ainda faltava 20 minutos para o jogo acabar. Se o Flamengo forçasse poderia ter sido de mais.

Mesmo se não for campeão, o Flamengo deixa o campeonato com uma apresentação digna da paixão de sua torcida. Nada mais justo, depois de decepções como a derrota para o Atlético Mineiro e o empate perante a Portuguesa. Os 70 mil fanáticos tomaram as ruas do Rio de Janeiro fazendo um verdadeiro Carnaval. Parecia comemoração de título. Isso é Flamengo. A alegria de uma torcida que transforma uma vitória em algo apoteótico. Amigos, segundo a matemática, o Fla ainda tem 3% de chances de ser campeão nacional. São Paulo e Grêmio possuem nitidamente mais probabilidades, porém... Sabem como é o desporto rei. Sempre aprontando uma surpresa. Caso seja campeão, a torcida rubro-negra vai sem dúvida fazer uma festa jamais vista, nem memos no próprio Carnaval Carioca. Salve Mengão!!!!